Falta de capacitação dos motoristas

Estatísticas de entidades e empresas ligadas ao setor de transporte estimam que anualmente ocorram aproximadamente 100 mil acidentes com veículos de cargas nas rodovias brasileiras, deixando um saldo de oito mil mortes, sendo a metade das vítimas motoristas de caminhão. Além disso, o País perde cerca de R$ 22 bilhões por ano com acidentes, sendo aproximadamente R$ 10 bilhões somente com o transporte rodoviário de carga. Pensando em contribuir com estradas mais seguras – além de garantir que seus produtos atinjam o melhor desempenho nas estradas – as montadoras instaladas no País têm investido cada vez mais na oferta de cursos para motoristas de caminhão.

A Volvo, por exemplo, tem o “Transformar”, programa voltado para  o comprometimento dos motoristas com um trânsito mais      seguro, além de uma condução mais econômica. Segundo a fabricante, toda a metodologia do projeto está voltada para melhorar a conduta do carreteiro. “Um motorista consciente é fator-chave para a segurança nas estradas”, destaca Luiz Scherner, coordenador de treinamentos para motoristas. Além disso, a empresa aposta também na disseminação do conhecimento, com a capacitação de monitores – motoristas selecionados por clientes – que posteriormente terão como meta transmitir o conhecimento para seus colegas de trabalho.

A empresa informa que desde 2008 foram qualificadas aproximadamente 900 pessoas neste projeto, e de acordo com projeções da empresa, cada monitor transmite seu conhecimento a pelo menos outros 100 motoristas. Outra frente de trabalho da Volvo nesta área é a parceria com o Sest-Senat do Paraná, através da qual um caminhão marca com caixa de câmbio automatizada I-Shift é disponibilizado para a capacitação de motoristas nos cursos oferecidos pela instituição. “A meta da Volvo é oferecer bons veículos e contribuir com a segurança das entradas. Para cada caminhão entregue, temos como meta um motorista qualificado”, resume Rogério Roa, gerente de treinamentos para motoristas.
Na Mercedes-Benz, apenas em 2012, seis mil profissionais passaram por algum tipo de treinamento. Para atingir este resultado, a empresa conta com centros de treinamento próprio localizados em Campinas/SP, Porto Alegre/RS e Recife/PE, além de espaços homologados, instalados junto a alguns concessionários de São Paulo, Rio de Janeiro, Minhas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Ceará e Pará, e unidades volantes de treinamento.

A empresa conta também com parcerias com o Sest/Senat, o que inclui a cessão de caminhões para as lições práticas. Nas unidades de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná, os cursos de “Condução Segura e Econômica” e de “Excelência Profissional para Motoristas de Carga” são ministrados em modelos Axor. Este mesmo modelo é utilizado também nas aulas da Universidade do Caminhoneiro – nas unidades de São Paulo, Campinas/SP, Florianópolis/SC, Brasília/DF, Ponta Grossa/PR e Cariacica/ES. “A Mercedes-Benz tem também o compromisso com a formação dos motoristas. Por meio de nossos treinamentos, os condutores podem aprender a utilizar 100% das funcionalidades dos caminhões, aproveitando todo o potencial de seus veículos no dia a dia de trabalho, com máxima eficiência e ainda contribuindo para o aumento da segurança nas estradas”, afirma Ari de Carvalho diretor da área de Pós-Venda da Mercedes-Benz do Brasil.

A partir de jan/2014 todos os veículos vendidos no país deverão ser equipados com freios ABS, incluindo ônibus, caminhões e semi-reboques. Será hora de capacitar motoristas, experientes ou novatos, para utilizar essa novidade. Frear um veículo equipado com freios ABS requer uma mudança de hábito porque quem não estiver acostumado poderá reagir de forma incorreta.

Quando os sensores do ABS percebem que pode ocorrer o travamento das rodas, o sistema alivia a pressão e o pedal transmite uma vibração nitidamente sentida pelo pé. Uma reação comum é tirar o pé do freio, o que é não apenas errado, mas tremendamente perigoso em determinadas situações. Por mais experiente que seja o motorista, é uma tecnologia desconhecida e, portanto, requer treinamento.
É muito importante que frotas e empresas de transporte, seja de carga ou de passageiros, tenham em seu quadro um motorista instrutor para treinar os demais, receber novos veículos e novas tecnologias e transmitir isso aos demais.

E os motoristas que hoje compõem o quadro da empresa, sejam eles contratados ou agregados, será que estão adequadamente treinados? Será que realizam as tarefas corretamente? Em vista dos acidentes que vemos diariamente no noticiário, em especial com veículos de carga, é certo que boa parte não atende aos requisitos necessários.

Em matéria publicada na revista Transporte Mundial, edição 117 de março deste ano, tratando dos desafios do transporte da esperada safra recorde de grãos, havia um quadro com recomendações para cuidar bem dos implementos (reboques e semi-reboques) e, dentre as recomendações citadas, vou destacar apenas duas:

  •  verificar semanalmente as condições da quinta-roda e pino-rei
  •  regulagem do ajustador de freio-mecânico a cada 2.000 km.

Vamos, então, fazer uma simulação. Uma viagem de ida e volta entre São Paulo – SP e Belém – PA, são quase 6.000 km. Se o ajustador de freio deve ser regulado a cada 2.000 km, saindo de São Paulo a primeira regulagem será em Colinas do Tocantins – TO, pouco antes de Araguaína. A segunda, próximo a Guaraí, também no Tocantins. E a terceira já de volta a São Paulo.

Quantos motoristas fazem isso? Se não houver uma oficina ou um mecânico para fazer a regulagem, o motorista está capacitado para realizar ele mesmo essa tarefa? E a empresa, orienta para que isso seja feito e dá o treinamento necessário? Vou mais além: a empresa tem em seu quadro alguém capacitado para dar tal treinamento e verificar, no retorno à base, se foi feito?

Um amigo sempre diz que, quando estamos numa transportadora, é fácil saber quem é motorista: é só procurar um grupo reunido jogando palitinho. Brincadeira à parte, um fato sempre me chama a atenção em tal situação.

Num grande pátio, com diversas docas com caminhões estacionados, nunca vejo os motoristas aproveitando o tempo enquanto aguardam o carregamento ou descarregamento da carga para verificar pneus, luzes, nível de água ou óleo, estado dos limpadores de para-brisas, etc.
Mesmo naquelas raras frotas que fazem uso de um check-list, é difícil encontrar um motorista aproveitando esse tempo parado para fazer algo útil e que trará mais segurança para sua viagem e para ele próprio.

É triste ver um equipamento que custa tão caro ser mal utilizado e mal cuidado. E quando o acidente acontece, vem a velha e esfarrapada desculpa de que “o freio falhou”. Pode até ser, mas muito antes falhou quem tem obrigação de cuidar dele.

Fonte: Editora Na Boléia
Texto: Pércio Schneider

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